Ceratocone
Por: INOB, 23 de agosto de 2011 - deixe um comentário
Por: Veronica Soares
Transplante é curativo, mas existe tratamento para minimizar a evolução
Há quem diga que os olhos são as janelas da alma. São por eles que nos são apresentados as cores, as formas, as paisagens, as pessoas. Por ter tamanha importância para todos, os olhos merecem total atenção. E quando o assunto é a saúde deles, os cuidados devem ser redobrados ainda mais.
Algumas doenças que atingem os olhos podem comprometer totalmente a visão. Em muitos casos, o transplante de córnea é a única solução. Hoje, o ceratocone lidera a lista como uma das principais causas de transplantes de córnea no Brasil e no mundo. A doença é definida como uma deformação coniforme da córnea, que provoca a percepção de imagens distorcidas. Indolor e não inflamatório, o ceratocone é caracterizado pelo afinamento progressivo e localizado da córnea.
De acordo com o oftalmologista Henrique César Magalhães, do Hospital de Olhos (INOB), a medicina ainda não sabe as reais causas da doença. Mas, os dados são alarmantes. Agindo sempre silenciosamente, para cada grupo de duas mil pessoas, duas são diagnosticadas com o mal. Outro dado curioso é que a doença também não tem preferência por sexo. Normalmente o ceratocone começa na adolescência e progride até por volta dos 40 anos, quando costuma se estabilizar.
Apesar de não saber a causa, os pacientes devem ficar atentos. Segundo o especialista, aquelas pessoas que tem o hábito de coçar os olhos com mais freqüência tem mais possibilidades de desenvolver a doença. A mudança freqüente na refração (grau dos óculos) causada pelo aparecimento de um astigmatismo irregular pode ser o primeiro sinal de alerta para a doença.
A evolução da mesma também pode variar caso a caso. Em muitos pacientes, a evolução é bastante lenta e o uso dos óculos pode possibilitar uma boa acuidade visual. A minoria dos casos apresenta uma evolução mais rápida. E são exatamente estes que merecem uma atenção maior.
O uso de lentes de contato rígidas ou mesmo, nos casos mais críticos, o transplante de córnea são as alternativas que restam.
Embora o transplante de córnea seja o único procedimento curativo para a ceratocone, hoje já existem tratamentos para minimizar a sua evolução.
Conforme Henrique César, hoje o tratamento mais adequado para evitar a progressão da doença é o cross-linking. Apesar de não curar definitivamente, o tratamento aumenta a resistência corneana, o que acaba retardando e estabilizando a sua progressão. O médico explica que o método consiste na instilação de uma substância chamada Riboflavina (vitamina B2) no olho do paciente. Em seguida, é feita a aplicação de radiação ultravioleta para criar novas ligações entre as moléculas de colágeno da córnea, aumentando sua resistência em até 320%. “O tratamento aumenta a resistência corneana e, consequentemente, estabiliza a progressão da doença”, explica.
Uma das vantagens do tratamento é que o procedimento é eficaz. Com baixo índice de complicações, pode ser indicado para pacientes com ceratocone progressivo e ectasia progressiva pós-cirurgia refrativa.
Na opinião do especialista, o cross-linking como primeira escolha deve ser realizado apenas em córnea com capacidade refrativa, que podem ter uma boa acuidade visual com óculos ou lentes de contato. Caso contrário, pode ser associado a anéis intra corneanos, que vão aplanar a curvatura central e melhorar a acuidade visual. O cross-linking forneceria a estabilidade.
A técnica tem aproximadamente 15 anos de pesquisas e já é aplicada em todo o mundo. No Brasil, o cross-linking é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Fique por dentro
O único procedimento curativo para ceratocone é o transplante de córnea, porém todo procedimento cirúrgico pode estar associado a complicações, dentre elas: alto astigmatismo, rejeição, infecção, glaucoma, catarata e doenças relacionadas à superfície ocular.
Publicado por: Plano Brasília 21/06/2011
