Avanços na Cirurgia Vitreorretiniana: maior segurança e melhores resultados
Por: INOB, 10 de agosto de 2011 - deixe um comentário
Para o benefício dos pacientes portadores dos graves problemas da retina e vítreo como Retinopatia Diabética, Descolamento de Retina e Maculopatias, a cirurgia vitreorretiniana utilizada na correção destas doenças, foi sem dúvida uma das áreas de maior avanço nos últimos anos entre todas as cirugias oftalmológicas.
Para entendermos um pouco melhor este assunto, é importante sabermos que a retina e o vítreo são estruturas da parte de trás (posterior) do olho. O vítreo é um gel transparente que constitui 4/5 do volume do olho. Já a retina, é uma fina camada de células nervosas (neurônios) que reveste o fundo do olho, sendo fundamental para a perfeita visão.
Como curiosidade histórica, a cirurgia vitreorretiniana (vitrectomia) foi iniciada na década de 70 por Machemer , somente em casos extremamente graves de descolamento de retina. Na primeira e segunda décadas da vitrectomia, os pacientes eram operados sempre com anestesia geral e permaneciam internados com os 2 olhos tampados por até 15 dias, sem levantar do leito. Porém os resultados ainda não eram sempre satisfatórios. Um caso famoso de descolamento de retina foi o do jogador de futebol da seleção tricampeã em 70, Tostão, que apesar de variás cirurgias acabou perdendo a visão de um dos olhos .
Na última década, a vitrectomia passou por uma série de avanços que resultaram em maior segurança, melhores resultados visuais, maior conforto durante a cirurgia e no pós operatório para os pacietes portadores destes graves problemas. Estes avanços ocorreram em várias áreas como na anestesia, na técnica cirúrgica e nos equipamentos usados na cirugia.
Atualmente utilizamos anestesia local em grande parte dos das cirurgias, o que permite maior segurança e realização da cirurgia em caráter de curta internação (“Day Clinic”) com alta no mesmo dia do procedimento cirúrgico na maioria dos casos.
A técnica cirúrgica evoluiu imensamente nos últimos anos. A moderna vitrectomia , chamada minimamente invasiva, utiliza três micro incisões de0,5 mmcada, muitas vezes sem a necessidades de pontos. Estes avanços trouxeram menor tempo cirúrgico, menor desconforto pós operatório, com maior segurança e melhores resultados visuais, além de ampliar as indicações para a cirurgia, com resolução mais precoce de muitos problemas da retina. A outra área que permitiu esta evolução foi o avanço tecnológico. A melhora dos equipamentos de vitrectomia, dos instrumentais, dos sistemas de iluminação intra ocular por fibra óptica e dos microscópios cirúrgicos com os modernos métodos de visualização, deram ao cirurgião de retina e vítreo as condições para a melhora técnica.
Todos estes avanços descritos devem, porém, estar conjugados a fatores fundamentais para o bom resultado no tratamento de qualquer doença: o diagnóstico e tratamento precoces. Isto só é obtido por meio de informação , das consultas oftalmológicas anuais e da procura imediata de seu médico oftalmologista ao apresentar qualquer anormalidade na sua visão.
Por: Renato Braz Dias
Chefe do Departamento de Retina e Vítreo do Hospital de Olhos INOB
